Fotografia documental sobre Alemanha estreia 5G de gigabit em linha férrea com mastros de aço que abolem o concreto

Imagem: Foto: Wikimedia Commons · Licença: cc-by-sa

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Alemanha estreia 5G de gigabit em linha férrea com mastros de aço que abolem o concreto

Alemanha estreia 5G de gigabit em linha férrea com mastros de aço que abolem o concreto

Fonte principal: Teststrecke für High-Speed-Internet im Zug eröffnet, China avança em megaprojeto de trem submarino que atravessa dois continentes em apenas 40 minutos - O Cafezinho, O mega projeto ferroviário que virou obsessão na China, porque além de cruzar o oceano por um túnel submarino inédito, vai conectar Dalian e Yantai em tempo recorde - Brasil 247 - Tendencias · Por Redação Mundo Trilhos


Projeto GINT testa internet ultrarrápida em trens e antecipa a espinha dorsal da comunicação ferroviária na Europa.

Toda grande cidade revela sua inteligência pelo modo como desloca as pessoas. A máxima, que poderia adornar qualquer manual de urbanismo, ganha novo significado quando o deslocamento supera os 200 km/h sobre trilhos.

A Alemanha acaba de inaugurar um laboratório a céu aberto que projeta essa inteligência para a era do 5G. No coração de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, o trecho de 10 quilômetros entre Karow e Malchow transformou-se na primeira pista de testes de internet em altíssima velocidade para trens de passageiros.

Batizado de Gigabit Innovation Track (GINT), o projeto recebeu 6,4 milhões de euros do ministério alemão de Digital e Transporte. Segundo os detalhes técnicos divulgados pelo portal Umweltdialog, a meta é alcançar 5 gigabits por segundo por trem até 2030.

O que chama atenção é a velocidade da instalação: 13 mastros de 15 metros foram erguidos em apenas um mês. A fundação é de aço cravado no solo, dispensando totalmente o concreto e reduzindo as emissões de CO₂.

Essa inovação na estrutura não é mero detalhe estético, mas uma revolução logística para o futuro sistema FRMCS (Future Rail Mobile Communication System). O FRMCS substituirá o antigo GSM-R e exigirá uma malha de antenas capaz de suportar dados massivos em movimento.

Na faixa de 3,5 GHz, o 5G do GINT opera com combinadores de rádio inovadores e uma rede de acesso via rádio (RAN) pré-configurada. O trem-laboratório ‘Advanced TrainLab’, um antigo ICE transformado em plataforma de testes, percorre a via para validar a cobertura e o desempenho.

A aliança reúne Deutsche Bahn, Ericsson, O2 Telefónica e Vantage Towers, que apostam em mastros de uso compartilhado. A ideia é que infraestrutura ferroviária e de telefonia móvel convivam na mesma torre, acelerando a digitalização dos corredores e poupando recursos.

O ministro Volker Wissing enfatizou que o projeto saiu do papel em oito meses — ‘o ritmo que precisamos para a expansão da rede’. A executiva da DB, Daniela Gerd tom Markotten, reforçou que o objetivo é fazer o passageiro se sentir em casa, com chamadas estáveis e streaming sem interrupções.

Para o Brasil, que avança lentamente nos projetos do Trem Intercidades e na modernização do metrô paulistano, o GINT sinaliza um caminho de conectividade embarcada. Incorporar mastros de aço sem concreto e células 5G na faixa de 3,5 GHz poderia reduzir custos e acelerar a implantação de redes em túneis e vias expressas.

A diretora da O2 Telefónica, Valentina Daiber, classificou o teste como um ‘paradigma’ que aproxima a infraestrutura móvel dos trilhos. Já Daniel Leimbach, da Ericsson, revelou que o núcleo de rede foi pré-montado no laboratório de Aachen, cortando drasticamente os prazos de entrega.

Os engenheiros responsáveis destacam que a ausência de concreto elimina o tempo de cura e permite instalação noturna, sem interromper o tráfego ferroviário. Isso é vital para corredores densos como Berlim–Hamburgo, onde cada minuto de parada custa milhares de euros.

O plano europeu para o trem de alta velocidade, detalhado em análise recente, projeta 345 bilhões de euros em investimentos até 2040. Nesse contexto, o GINT deixa de ser um experimento isolado e se torna peça-chave para a interoperabilidade digital do continente.

A sustentabilidade também ganha com a eliminação do cimento, responsável por cerca de 8% das emissões globais de CO₂. Os mastros de aço aparafusado podem ser desmontados e reaproveitados, alinhando a conectividade de gigabit à economia circular.

Christian Hillabrant, CEO da Vantage Towers, afirmou que o modelo ‘prova que gigabit na ferrovia pode se tornar realidade em meses’. A empresa, que opera mais de 80 mil torres na Europa, enxerga no compartilhamento de infraestrutura uma via rápida para eliminar zonas de sombra digital.

Para alcançar 5 Gbps, o GINT combina agregação de portadoras e MIMO massivo, técnicas que multiplicam a capacidade do canal. O trem recebe múltiplos feixes de dados simultaneamente, como se cada janela tivesse uma antena dedicada.

A transição do GSM-R para o FRMCS é crucial porque o sistema atual não suporta a demanda de dados dos passageiros modernos. As operadoras precisam de uma arquitetura unificada que atenda tanto a sinalização crítica quanto o entretenimento a bordo.

O GINT testa antenas direcionais que concentram o sinal no trem, minimizando interferências. Isso permite que múltiplas operadoras usem a mesma faixa de espectro sem degradar a experiência do usuário.

No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já discute o leilão de frequências para o 5G em áreas de mobilidade. A experiência alemã poderia orientar cláusulas de compartilhamento de postes ao longo de ferrovias como a malha paulista da CPTM.

A Deutsche Bahn planeja replicar o modelo em toda a rede ICE após a validação final. Os resultados do Advanced TrainLab serão compilados até o fim do ano, alimentando as normas do FRMCS.

A velocidade da Alemanha em implantar o 5G sobre trilhos mostra que a ferrovia pode ser a espinha dorsal digital do século XXI. Da mesma forma que ‘toda grande cidade revela sua inteligência pelo modo como desloca as pessoas’, o bloco europeu revela a sua ao transformar o vagão em um escritório de altíssima velocidade.