Fotografia documental sobre Dobrar o metrô e quadruplicar os BRTs e VLTs: o desafio brasileiro para a mobilidade urbana até 2054

Imagem: Foto: Wikimedia Commons · Licença: cc-by-sa

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Dobrar o metrô e quadruplicar os BRTs e VLTs: o desafio brasileiro para a mobilidade urbana até 2054

Dobrar o metrô e quadruplicar os BRTs e VLTs: o desafio brasileiro para a mobilidade urbana até 2054

Fonte principal: Estudo do BNDES aponta que Brasil precisa dobrar metrô e quadruplicar os BRTs e VLTs, Uma década de VLT: Transporte mudou a paisagem, enfrentou o Centro esvaziado e projeta recuperação, Ferrovia para ligar o Atlântico ao Pacífico: veja o que se sabe até agora do projeto do Brasil com a China | G1 · Por Redação Mundo Trilhos


O investimento em infraestrutura de transporte é fundamental para o desenvolvimento urbano e econômico, priorizando a mobilidade eficiente e sustentável.

Quando a técnica organiza o espaço, a sociedade ganha tempo para viver. Essa afirmação se torna ainda mais relevante quando falamos da expansão e modernização do transporte público no Brasil, especialmente com o foco na duplicação do metrô e na quadruplicação dos BRTs (Bus Rapid Transit) e VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) até 2054. Um estudo do BNDES destaca a necessidade de investimento de R$ 500 bilhões para o crescimento do transporte público, com impacto direto na mobilidade urbana e na economia do país.

O Brasil precisa dobrar o sistema de metrô e quadruplicar o de BRT e VLT até 2054, conforme aponta o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana. A rede de metrô atual tem 376 km e deve crescer mais 323 km, enquanto BRTs e VLTs passariam de 631 km para 2,5 mil km. Esse plano ambicioso visa atender à demanda crescente, já que o transporte público perdeu 43% de passageiros entre 2014 e 2023, migrando para transportes individuais.

A implementação de um BRT tem um custo na casa de R$ 50 milhões por quilômetro, enquanto o metrô pode chegar a R$ 1 bilhão por quilômetro. Segundo Felipe Borim, superintendente da Área de Infraestrutura do BNDES, soluções mais baratas como o BRT são importantes para o país, embora tenham uma eficiência mais baixa comparada ao transporte sobre trilhos. Borim participou do encontro “Caminhos do Brasil”, uma iniciativa dos jornais O GLOBO e Valor Econômico e da rádio CBN, onde discutiu as prioridades e desafios do setor.

Já Clarisse Cunha Linke, diretora-executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), ressalta que todas as grandes cidades precisarão ter BRT e metrô se complementando, bem integrados. Cada modelo tem suas vantagens, e a integração desses modais é fundamental para a eficiência do sistema. O mapeamento do BNDES buscou projetos de transporte público coletivo de média ou alta capacidade planejados por estados e municípios das 21 regiões metropolitanas analisadas, selecionadas por terem pelo menos um milhão de habitantes cada.

Em um segundo momento, o banco fez uma análise crítica dos projetos, retirando aqueles que não faziam sentido, considerando o número de pessoas atendidas pelo investimento. Com isso, chegou ao número de 192 iniciativas. No Rio, foram analisadas obras como a expansão da Linha 4 do Metrô, ligando o Jardim Oceânico ao Alvorada, e a criação da Linha 3 conectando o Centro de Niterói a São Gonçalo. Já em São Paulo, estavam na primeira filtragem obras como o crescimento da Linha Verde de Cerro Corá até Vila Madalena e a construção da Linha Ônix, entre São Bernardo do Campo e Bonsucesso.

A expectativa, segundo Borim, é que a lista final seja divulgada em alguns meses. Os projetos têm diversos graus de maturidade, e alguns podem começar as obras no ano que vem. A quantidade de pessoas atendidas pelos modais de alta e média capacidade pode crescer até 501%, como no caso de Fortaleza, caso a rede futura seja efetivamente implementada, com um cenário otimizado sendo construído. Este cenário depende de fatores como a integração de diferentes modais numa tarifa única ou reduzida, políticas de desincentivo a carros, e a prioridade desses transportes coletivos no trânsito.

Com isso, o transporte público coletivo no Rio, por exemplo, poderia passar de 1,6 milhão de usuários para 5,9 milhões — um acréscimo de 270%. Em São Paulo, o aumento seria de 68%, de 8,9 milhões para 15 milhões de pessoas atendidas. Segundo Denis Eduardo Andia, secretário nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades, a tendência de queda no transporte público vem sendo detectada em diferentes partes do mundo por conta do surgimento de outras formas de locomoção, como os aplicativos. A pandemia agravou sobremaneira essa tendência, mas a solução passa por investimentos de médio e longo prazo e bons projetos.

Um exemplo concreto dessa transformação é o VLT do Rio de Janeiro, que completou dez anos de operação. O modal, menos poluente que os ônibus, mudou a mobilidade e o espaço urbano do Centro, mas ainda opera abaixo da demanda projetada. A recente integração tarifária com outros transportes e novos empreendimentos urbanos são apostas para o crescimento. Inaugurado com apenas uma linha, o VLT enfrentou desafios como atrasos no projeto, a crise econômica e a pandemia, que contribuíram para o esvaziamento do Centro.

Estudos de viabilidade previam que, quando a última linha entrasse em operação, o sistema receberia 243.777 passageiros nos dias úteis, conforme documentos disponíveis no site da Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar). Atualmente, 95 mil pessoas usam o modal diariamente. Apesar disso, Silvia Bressan, diretora de unidade do VLT Carioca, explica que o contexto da cidade e do Brasil mudou, e a recuperação está em andamento. O Terminal Gentileza, inaugurado em 2024, foi um fator importante para essa recuperação, contando com 78 mil passageiros diariamente e atualmente atendido por 16 linhas de ônibus e sete do BRT, além do VLT, que concentra 11,4 mil desses usuários.

Além do Terminal Gentileza, as paradas com maior movimento são Cristiano Ottoni (ao lado da Central do Brasil) e Candelária. Há também casos de demanda mudando com o tempo, como na estação Pereira Reis, no Santo Cristo, que apresentou aumento de passageiros após os lançamentos imobiliários na região. A perspectiva é de crescimento, com a prefeitura anunciando novos projetos, como o Reviver Centro, a Rua da Cerveja, o polo tecnológico Maravalley, e o Praça Onze Maravilha.

Para além dos desafios, o VLT e outros modais de transporte público coletivo representam uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida nas cidades brasileiras. O investimento em infraestrutura de transporte é fundamental para o desenvolvimento urbano e econômico, priorizando a mobilidade eficiente e sustentável. Com a implementação correta e a integração adequada, esses sistemas podem transformar a paisagem urbana e oferecer opções mais eficientes e acessíveis para a população.

RESUMO SEO: O Brasil precisa dobrar o metrô e quadruplicar BRTs e VLTs até 2054, com investimentos de R$ 500 bilhões, visando a mobilidade urbana e a economia.