Fotografia documental sobre Salvador restaura trens do extinto VLT de Cuiabá para revolução sobre trilhos no Subúrbio Ferroviário

Imagem: Foto: Wikimedia Commons · Licença: cc-by-sa

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Salvador restaura trens do extinto VLT de Cuiabá para revolução sobre trilhos no Subúrbio Ferroviário

Salvador restaura trens do extinto VLT de Cuiabá para revolução sobre trilhos no Subúrbio Ferroviário

Fonte principal: Notícias - Mobilize Brasil, VLT / MONOTRILHO DE SALVADOR | secretaria de desenvolvimento urbano, Brasil e China firmam parceria que prevê ferrovia ligando Atlântico e Pacífico | G1 · Por Redação Mundo Trilhos


A reutilização dos 40 veículos, submetidos a um rigoroso restabelecimento técnico pela CAF, simboliza a maturidade de um projeto que costura engenharia, integração multimodal e justiça urbana em uma única via permanente.

Quando a técnica organiza o espaço, a sociedade ganha tempo para viver. No Subúrbio Ferroviário de Salvador, essa máxima deixa o campo teórico e se materializa em trilhos, dormentes e uma intricada rede de catenárias aéreas que estão redesenhando a geografia social e econômica da capital baiana.

O Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) de Salvador, um projeto de 43,71 quilômetros de extensão com 50 paradas, nasce sob o signo da logística inteligente. Seus 40 trens, que pertenceram ao malfadado e extinto VLT de Cuiabá, foram transportados do Mato Grosso para a fábrica da CAF em Hortolândia, no interior de São Paulo, onde passam por um processo de restabelecimento técnico e operacional.

Não se trata de uma simples repintura ou troca de estofados. O governo da Bahia detalhou que os veículos, após a restauração, serão enviados a Salvador no segundo semestre de 2025 para os testes dinâmicos, o comissionamento e a emissão dos certificados de aceitação. É a migração de um ativo da inércia para o centro de uma engrenagem multimodal que vai ligar o tecido urbano ao Sistema Metroviário Salvador-Lauro de Freitas em dois pontos estratégicos: Águas Claras e Bairro da Paz.

Os trens de piso baixo devolvem a dignidade do embarque ao nível da calçada, eliminando barreiras físicas e simbólicas herdadas de sistemas mais hostis. A arquitetura operacional do sistema foi fatiada em três trechos distintos para acelerar a execução. Enquanto o Trecho 1 avança nos 16,66 km entre a Ilha de São João e a Calçada sob a batuta do Consórcio Expresso Mobilidade Salvador, uma extensão crucial de 3,58 km singrará em via permanente singrará rumo ao Comércio.

Este último segmento, previsto para ser concluído no primeiro semestre de 2028, é uma obra de engenharia urbana que transcende a mobilidade. Ao implantar os trilhos únicos nessa faixa, o projeto se confunde com a requalificação do solo e a drenagem, solucionando os alagamentos históricos que atormentam a região da Calçada, Águas de Meninos e Comércio. A rede aérea de tração elétrica alimentará composições silenciosas em um corredor que, finalmente, não será submerso pela primeira chuva de verão.

A integração física no Bairro da Paz e em Águas Claras não apenas conecta diferentes modais, mas cria uma nova centralidade metropolitana. Na estação de Águas Claras, o passageiro transita do sistema leve para o metrô e para um terminal rodoviário que dialoga com a Nova Rodoviária. É a materialização do conceito de integração multimodal, onde o tempo de baldeação é subtraído da equação do atraso e devolvido na forma de produtividade urbana.

Além do fluxo de passageiros, a requalificação imposta pelo VLT avança sobre o lazer e a cultura. Na orla de Praia Grande, um skatepark de 5.000 m² está sendo erguido com pistas padrão olímpico nas categorias Park e Street, projetadas conforme as normas da World Skate e do circuito STU. É a paisagem pós-industrial do Subúrbio se abrindo para obstáculos de alta performance, corrimãos e transições profundas, enquanto bancadas em aço inox são instaladas nos trens para atender às marisqueiras da região.

A previsão de conclusão do primeiro trecho, entre Ilha de São João e Calçada, aponta para o início da operação assistida em um horizonte de 40 meses. Quando a catenária for energizada nesse corredor de 16,66 km, o vetor de deslocamento do Subúrbio deixará de ser um feixe de ônibus disputando o asfalto para se tornar um fluxo contínuo sobre trilhos. A economia de recursos, cristalizada no reaproveitamento dos veículos mato-grossenses, prova que a racionalidade fiscal não é inimiga da ousadia técnica.

A segunda vida desses carros da CAF é o atestado de que o Brasil pode, quando há competência de gestão estadual alinhada à engenharia nacional, reciclar seus elefantes brancos e convertê-los em vetores de desenvolvimento. Com a futura ligação à malha da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, que avança do Cerrado baiano, Salvador se posiciona como a ponta de lança de uma rede logística que um dia pode unir o Atlântico ao Pacífico, redesenhando o mapa de exportações sem abrir mão do direito à cidade para quem vive nos trilhos do cotidiano.

Assinatura: Redação