Fotografia documental sobre Interborough Express: a engenharia de um VLT de 14 milhas que ligará Brooklyn a Queens em 32 minutos

Imagem: Foto: Wikimedia Commons · Licença: cc-by-sa

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Interborough Express: a engenharia de um VLT de 14 milhas que ligará Brooklyn a Queens em 32 minutos

Interborough Express: a engenharia de um VLT de 14 milhas que ligará Brooklyn a Queens em 32 minutos

Fonte principal: VLT da Baixada Santista - SYSTRA Brasil, Governor Hochul Announces Interborough Express Advancing from Planning to Active Phase | Governor Kathy Hochul | New York State, [Dossier Mobilités] #13 - Le tramway : un outil d’aménagement urbain bas carbone · Por Redação Mundo Trilhos


O projeto reutiliza uma ferrovia de carga e será a linha de VLT mais movimentada dos Estados Unidos, com 48 milhões de viagens anuais.

A governadora de Nova York, Kathy Hochul, anunciou o início da fase de projeto do Interborough Express (IBX) neste verão de 2025. O consórcio Jacobs e HDR liderará o design do novo sistema de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), conforme anúncio do governo estadual. O IBX utilizará uma linha ferroviária de carga existente da Long Island Rail Road (LIRR) e da CSX, estendendo-se por 14 milhas (22,5 km) de Sunset Park, Brooklyn, até Jackson Heights, Queens.

‘Os trilhos são a geometria material do futuro’, e o IBX reaproveita uma infraestrutura centenária para oferecer mobilidade rápida a quase 900 mil residentes e 260 mil trabalhadores do corredor. A linha terá 19 estações, conectando-se a 17 linhas de metrô, 50 rotas de ônibus e duas estações da LIRR, formando um nó estratégico na malha de transporte público de Nova York.

O tempo de percurso foi reduzido de 39 para 32 minutos após refinamentos de engenharia, como a substituição da operação em superfície na Metropolitan Avenue por um túnel, evitando atrasos em tráfego misto. Essa alteração aumentou a projeção de passageiros diários para 160 mil, elevando o volume anual para 48 milhões de viagens, superior a qualquer outro sistema de VLT nos EUA, incluindo Los Angeles, com 46 milhões.

A escolha pelo VLT, segundo a Metropolitan Transportation Authority (MTA), resultou de análises que mostraram que cerca de 70% dos futuros passageiros farão transferências dentro da própria rede, justificando um sistema de trilhos de alta capacidade com alimentação elétrica por catenária aérea. O material rodante, ainda em especificação, deverá empregar veículos de piso baixo, bogies articulados e pantógrafos modernos, compatíveis com uma via permanente construída sobre o leito ferroviário adaptado.

A engenharia civil do projeto enfrenta o desafio de inserir plataformas de embarque elevadas nos pontos de conexão, respeitando gabaritos reduzidos e assegurando a acessibilidade universal no cruzamento com outras linhas. O desenho da sinalização ferroviária precisará integrar os sistemas de controle do metrô de Nova York, operando em modo normal e modo degradado, com prioridade semafórica nas interseções remanescentes em superfície.

O IBX será a primeira linha de trânsito rápido construída do zero em Nova York desde a abertura da Linha G (IND Crosstown Line), em 1937. As estações em Brooklyn serão as primeiras novas paradas no distrito mais populoso da cidade desde 1948, e em Queens, desde 1988, evidenciando o caráter histórico da obra.

O financiamento do projeto, estimado em US$ 5,5 bilhões, já tem 50% garantidos pelo Plano de Capital 2025-2029 da MTA, aprovado por Hochul, com US$ 2,75 bilhões alocados diretamente. Recursos federais, como uma verba de US$ 15 milhões do programa RAISE (Rebuilding American Infrastructure with Sustainability and Equity), do Departamento de Transportes dos EUA, também apoiam a fase de avaliação do corredor.

A relevância do IBX não se restringe à geografia de Nova York: ele demonstra a viabilidade de reativar faixas ferroviárias subutilizadas para sistemas de VLT em grandes metrópoles. O Estado de São Paulo, por exemplo, desenvolve o VLT da Baixada Santista, que também se apoia no antigo leito da ferrovia Samaritá-Porto, desativada, para ligar Barreiros ao Porto de Santos, conforme detalha a SYSTRA Brasil.

No empreendimento paulista, os estudos funcionais e o projeto básico, a cargo da SYSTRA, incluíram dimensionamento de via permanente, sinalização de controle, alimentação elétrica, centros de manutenção e reorganização da rede de transporte coletivo, elementos idênticos aos que a Jacobs-HDR começa a projetar para o IBX. A experiência francesa, que desde 1985 já implantou mais de 29 redes de bondes (VLTs) com técnicas de plataforma flutuante e catenária ancorada diretamente na via, também oferece referência para a redução de custos e o impacto urbano.

A construção de um centro de manutenção e um pátio de remisagem exigirá terrenos de cerca de 20 mil metros quadrados, com vias de lavagem, inspeção em fossa e tornos para manutenção de bogies, seguindo o modelo compacto que racionaliza a operação. Tanto no IBX quanto no VLT da Baixada Santista, a reutilização de faixas de domínio da ferrovia original evita desapropriações massivas e reduz a pegada ambiental, um dos atributos que fazem do VLT o modo de transporte urbano mais eficiente em carbono, como demonstrou estudo da Alstom e Carbone 4 ao comparar VLTs a ônibus de alto nível de serviço.

O cronograma do IBX prevê que o design se estenda até o fim da década, com a construção começando em seguida, e a operação plena não deve ocorrer antes de 2035, respeitando o ritmo dos grandes investimentos em infraestrutura. A MTA já realizou dez audiências públicas com a participação de quase mil moradores do corredor, ajustando localizações de estações conforme o feedback recebido e critérios de acessibilidade.