Fotografia documental sobre FIOL avança lentamente e expõe desafios da infraestrutura ferroviária no Brasil

Imagem: Foto: Wikimedia Commons · Licença: cc-by-sa

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FIOL avança lentamente e expõe desafios da infraestrutura ferroviária no Brasil

FIOL avança lentamente e expõe desafios da infraestrutura ferroviária no Brasil

Fonte principal: FIOL: ferrovia de 1.527 km espera há décadas na Bahia, Novo PAC garante recursos para fortalecer transporte ferroviário no Brasil — Agência Gov, Com investimento de R$ 100 bi, governo lançará Plano Nacional de Ferrovias | CNN Brasil · Por Redação Mundo Trilhos


A construção da FIOL reflete a complexidade e as contradições do desenvolvimento ferroviário brasileiro.

Toda grande cidade revela sua inteligência pelo modo como desloca as pessoas. No Brasil, essa máxima se estende além das metrópoles, abrangendo o vasto território nacional e suas necessidades logísticas. A Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL) é um exemplo emblemático dessa realidade. Com 1.527 km de extensão em bitola larga, a FIOL foi concebida para conectar o Porto Sul, em Ilhéus, na Bahia, à Ferrovia Norte-Sul em Figueirópolis, Tocantins. Apesar de seu potencial transformador, o projeto enfrenta desafios significativos que atrasam sua conclusão.

O primeiro trecho da FIOL, que liga Caetité a Ilhéus, tem 537 km e já conta com 127 km em execução, respaldados por um investimento de R$ 1,5 bilhão. Este trecho é vital para o escoamento de minério do sul da Bahia e grãos do oeste baiano, prometendo reduzir custos logísticos e desafogar estradas. Entretanto, como aponta o portal Click Petróleo e Gás, o cronograma de entrega é incerto, com o prazo oficial de conclusão estendido até 2027.

O segundo trecho, que vai de Caetité a Barreiras, também na Bahia, tem 485 km e está com 65% das obras concluídas. A perspectiva de conclusão em 2024 gera expectativas, mas a experiência com projetos ferroviários no Brasil recomenda cautela. A construção deste trecho é crucial para consolidar um corredor logístico que impulsione a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.

Já o terceiro trecho, que se estende de Barreiras a Figueirópolis, com 531 km, enfrenta um impasse. Embora os Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), o Projeto Básico e o Projeto Executivo tenham sido concluídos em 2013, a ausência de licença de instalação impede o início das obras. Este trecho é essencial para que a FIOL se integre à Ferrovia Norte-Sul, formando um corredor logístico transregional que pode revolucionar o escoamento de granéis sólidos no país.

A FIOL é parte de um plano maior, o Plano Nacional de Ferrovias, que prevê investimentos de R$ 530 bilhões em 15 ativos ferroviários. Este plano ambicioso reflete a intenção do governo de reverter décadas de negligência no setor ferroviário, priorizando o transporte sobre trilhos como solução sustentável e eficiente para o desenvolvimento socioeconômico. Contudo, a execução desse plano enfrenta limitações financeiras e burocráticas, agravadas pela dependência do modal rodoviário.

A integração da FIOL com a Ferrovia Norte-Sul é uma promessa de multimodalidade que pode equilibrar a matriz de transportes do Brasil. No entanto, o histórico de atrasos e paralisações em projetos ferroviários, como a própria Ferrovia Norte-Sul, que levou 36 anos para ser concluída, lança dúvidas sobre a capacidade do país de cumprir prazos e metas ambiciosas. A comparação com a China, que constrói 2.400 km de ferrovias de alta velocidade por ano, expõe as deficiências do Brasil em planejamento e execução de infraestrutura.

O impacto potencial da FIOL vai além da logística. Ao conectar regiões produtoras a portos de grande capacidade, a ferrovia pode gerar empregos, aumentar a arrecadação e fomentar o desenvolvimento de cadeias produtivas locais. Entretanto, a falta de infraestrutura portuária adequada em Ilhéus é um gargalo que precisa ser resolvido para que a ferrovia cumpra seu papel transformador.

A retomada das obras da FIOL é um passo importante, mas insuficiente para garantir a conclusão do projeto. A continuidade política e o compromisso de longo prazo são essenciais para que a FIOL não se torne mais um exemplo de promessa ferroviária não cumprida. O governo federal, sob a liderança do presidente Lula, tem priorizado o setor ferroviário, mas a execução dos projetos depende de parcerias público-privadas e de um ambiente regulatório que atraia investimentos.

Em suma, a FIOL representa tanto uma oportunidade quanto um desafio para o Brasil. Sua conclusão pode redefinir a logística do país, tornando o transporte ferroviário uma alternativa viável e competitiva. No entanto, o sucesso do projeto depende de uma abordagem integrada que considere a complexidade e as contradições do desenvolvimento ferroviário nacional. A FIOL é um símbolo da retomada ferroviária brasileira, mas seu destino ainda está por ser decidido nos trilhos invisíveis que conectam o presente ao futuro.